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UE suspende carne do Brasil, frango vivo sobe e ovo recua na mesma semana

Frango vivo sobe 14% em SP enquanto UE bloqueia carne brasileira e ovo cai com produção recorde. Veja o que fazer com preço, custo de ração e exportação nesta semana.

Equipe uzur.ai ·

A União Europeia bloqueou a importação de produtos de origem animal do Brasil por regras de antimicrobianos, enquanto no mercado interno o frango subiu forte: congelado e resfriado a R$ 8,33/kg em São Paulo em 17/09, altas de 13,80% e 14,27% no mês (Cepea), com o indicador do frango vivo em R$ 8,31/kg hoje. O ovo andou no sentido contrário — branco a R$ 131,78 e vermelho a R$ 149,26 por caixa de 30 dúzias, depois de recuo em praticamente todas as praças na primeira quinzena, e com produção recorde de 2,04 bilhões de dúzias no primeiro semestre (IBGE/Cepea). Com milho a R$ 69,29/saca e farelo de soja a US$ 359,4/t, quem está na postura perde nas duas pontas nesta semana; quem tem ave de corte pronta tem janela curta de negociação.

Mercado interno

Frango vivo: demanda aquecida, mas margem menor que há um ano

O Cepea registrou forte valorização do frango em São Paulo em setembro, puxada pelo consumo após pagamento de salários e pelo feriado de 7 de Setembro. Frigoríficos intensificaram a compra de lotes extras de frango vivo. Congelado e resfriado estavam a R$ 8,33/kg em 17/09, contra R$ 7,76/kg em 11/09 — alta acumulada no mês de 13,80% e 14,27%. O indicador do frango vivo em SP está a R$ 8,31/kg, em leve recuo de 0,2% no dia.

O contrapeso é a oferta. Produção e peso de carcaça mais altos mantiveram a oferta doméstica cerca de 9% acima da de um ano antes, com produção +6,1% no primeiro semestre e abates +4,4% em julho (dados preliminares). A ave inteira congelada no atacado paulista ficou a R$ 7,19/kg em agosto, queda de 0,3% frente a julho e de 1,2% no ano. A margem no mercado interno caiu de 36% para 32% em doze meses, segundo o Itaú BBA.

Ou seja: o pico de setembro é demanda de curto prazo, não virada estrutural. Segundo o Itaú BBA, recuperação mais firme de preço depende de ajuste na oferta ou de mais exportação — e a exportação acabou de perder um destino.

O que fazer: negociar lotes disponíveis enquanto a demanda dos frigoríficos por lotes extras persistir e evitar contrato de venda a preço fixo longo nesta janela; acompanhar as cotações diárias do Cepea/Esalq em SP.

Fontes: Feed&Food, 18/09, Feed&Food, 17/09, Agrimidia, 18/09 e O Presente Rural e Sociedade Nacional de Agricultura (18/09).

Ovo: oferta recorde e preço em recuo na quinzena

O Brasil produziu 2,04 bilhões de dúzias de ovos para consumo entre janeiro e junho de 2026, o maior volume para um primeiro semestre desde o início da série do IBGE em 2012. No segundo trimestre, a produção total (consumo mais incubação) somou 1,25 bilhão de dúzias, alta de 0,8% sobre o mesmo período de 2025 e de 2% sobre o primeiro trimestre. Ovo para consumo foi 82,6% do volume; incubação, 17,4%. São Paulo concentra 24,7% da produção nacional, Minas 10,2%, Paraná 9,6% e Espírito Santo 7,9%. O mesmo levantamento circulou em outros veículos na forma de 24,5 bilhões de ovos no semestre.

Entre o primeiro e o segundo trimestre, o preço médio do Cepea teve leve avanço — a oferta maior não derrubou a cotação naquele momento. Mas na primeira quinzena de setembro o ovo branco e o vermelho recuaram em praticamente todas as praças acompanhadas. No painel de hoje, branco a R$ 131,78 e vermelho a R$ 149,26 por caixa de 30 dúzias.

A leitura prática: a resistência de preço que segurou o ovo no segundo trimestre está sendo testada agora, com plantel crescendo trimestre a trimestre.

O que fazer: refazer a conta de custo por dúzia com milho e farelo nos preços de hoje antes de fechar venda ou confirmar alojamento de nova reposição; usar o boletim semanal do Cepea como gatilho de decisão, não a média trimestral.

Fontes: Feed&Food, 18/09, Portal do Agronegócio, 18/09, Agrimidia, 18/09 e vgnoticias (18/09).

Mercado externo

União Europeia

A UE suspendeu a importação de produtos de origem animal do Brasil — aves, suínos e bovinos — citando preocupação com uso de antimicrobianos. O bloqueio vale desde 3 de setembro de 2026. Em 2025, o Brasil enviou 211 mil toneladas de frango à UE.

Na mesma direção oposta, a UE sinalizou avanço em negociações internas sobre protocolos sanitários específicos para carne de frango, após auditorias técnicas no Brasil, o que abriria caminho para retomada parcial. Não há prazo, volume ou documento oficial citado nas matérias, e a possibilidade de retomada também foi noticiada sem detalhamento de condições. Trate como cenário em aberto, não como decisão.

Isso ocorre com exportação em recorde: 492,6 mil toneladas embarcadas em agosto, +24,8% no ano e acumulado +15,5% em 2026 segundo a ABPA, com receita próxima de US$ 1 bilhão. O spread de exportação ficou em torno de 46% em agosto, 3 pontos acima da média de cinco anos (Itaú BBA) — é a perna que está sustentando margem no setor.

O que fazer: exportador deve acompanhar comunicados oficiais do MAPA e da Comissão Europeia sobre o protocolo sanitário de frango antes de reprogramar embarque; para o produtor integrado, o ponto de atenção é volume redirecionado ao mercado interno.

Fontes: Agrimidia, 18/09, Agrimidia, 18/09 e R7 (19/09).

Reino Unido

O setor avícola britânico teme que as 211 mil toneladas antes destinadas à UE sejam redirecionadas ao Reino Unido, com risco de sobreoferta e pressão sobre o preço local. A NFU pressiona o Defra a adotar restrição semelhante à europeia, alegando desvantagem competitiva: a avicultura britânica reduziu 60% o uso de antibióticos rurais desde 2014 e 83% o uso de antibióticos críticos para humanos.

No Parlamento, a resposta do governo britânico foi que “todas as opções continuam abertas”. Não há decisão — é pressão política em curso, reportada a partir de fonte estrangeira.

Acompanhar — ainda não há decisão a tomar.

Fonte: Agrimidia, 18/09.

Sanidade

Europa registra quase 8.000 surtos e aponta aves silvestres como porta de entrada

A EFSA e a Comissão Europeia lançaram a campanha #NoBirdFlu antes da temporada de migração no outono europeu, com cinco medidas de biosseguridade: controle de acesso à granja, limpeza e desinfecção, evitar contato com aves silvestres, manter espécies separadas e reconhecer sinal de doença precocemente.

O número que interessa ao produtor brasileiro: entre outubro de 2025 e junho de 2026 foram detectados quase 8.000 surtos na Europa, com detecções em aves silvestres quatro vezes maiores que no inverno anterior. A maioria das infecções em granja veio de contato indireto com aves silvestres — não de contato direto. Ressalva: a matéria traz período de referência posterior à própria data de publicação, o que sugere erro no texto original.

Contato indireto significa bota, pneu, equipamento, cama, água e ração. É onde a falha acontece na prática.

O que fazer: revisar rotina de controle de acesso, limpeza e desinfecção, e reforçar o isolamento entre espécies e contra aves silvestres, com atenção redobrada nos períodos de maior circulação de migratórias.

Fonte: Zootecnica International, 18/09.

Nutrição e manejo

Ração mais cara encontra ovo mais barato

Os indicadores de insumo seguem firmes: milho a R$ 69,29/saca (+0,1%), soja a R$ 161,89/saca (-0,1%) e farelo de soja a US$ 359,4/t (+0,2%). No exterior, milho CBOT a 532,50 ¢/bu (+0,9%) e soja a 1.308,50 ¢/bu (+0,4%). O Cepea apontou milho e soja em trajetória de alta na primeira quinzena de setembro.

Para o corte, a alta do frango vivo em setembro compensa parte disso no curto prazo. Para a postura, a combinação é ruim: kg de ração por dúzia mais caro e preço do ovo em recuo nas praças acompanhadas. O Itaú BBA aponta que, no mercado interno de frango, é o custo de milho e farelo que ainda sustenta a margem no curto prazo — qualquer mudança nesses dois indicadores muda a conta rápido.

O que fazer: recalcular custo de ração por dúzia e por kg de ave com os indicadores de hoje, e não fechar venda de ovo a preço fixo antes de ver a planilha atualizada.

Fonte: Agrimidia, 18/09 e Feed&Food, 17/09.

Tecnologia e regulação

Cage-free avança no hemisfério norte e cobra a conta em bem-estar

Revisão publicada pela Zootecnica International consolida a adoção de sistemas sem gaiola nos mercados que mais cobram certificação. Na UE, 47% dos ovos vinham de gaiolas melhoradas, 36% de cage-free em galpão, 11% de free-range e cerca de 6% de orgânico em 2021. No Reino Unido, 71% da produção é free-range e 17% gaiola melhorada (DEFRA, 2025). Nos EUA, mais de 136 milhões de poedeiras estavam em cage-free em outubro de 2025, cerca de 46% do plantel nacional (USDA), com dez estados já tendo legislação sobre ovo de gaiola até 2024. No Canadá, 43% do plantel seguia em gaiola convencional e 37% em gaiola melhorada em 2024.

O ponto técnico é o que a revisão diz sobre o custo zootécnico da transição: genética e manejo atuais foram desenvolvidos para vida em gaiola, e os sistemas multiníveis trazem fraturas de quilha e bicagem de penas. As frentes de pesquisa apontadas são genética, manejo de pintainhas e monitoramento automatizado de bem-estar.

Nada aqui é específico do Brasil e o texto original está truncado. Sobre IA aplicada com resultado medido em indicador zootécnico, não houve nesta semana nenhuma notícia com número, fonte e responsável identificado — não vale inflar.

Acompanhar — ainda não há decisão a tomar, exceto para quem negocia com comprador que já exige certificação.

Fonte: Zootecnica International, 19/09.

Também no radar

Semana de sinais cruzados: corte com preço melhor e destino a menos, postura com oferta recorde e preço em queda. Na próxima edição, acompanhamos se a UE avança no protocolo sanitário para frango e se o recuo do ovo se confirma.

Mercados · 21/09

Mercado interno (CEPEA)

Mercado externo

Interno: CEPEA/ESALQ. Milho e soja externos: contrato futuro de Chicago (CBOT). Dólar: awesomeapi.